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SINDUSCON/PELOTAS MANIFESTA PREOCUPAÇÃO COM VIABILIDADE DAS NOVAS REGRAS DO MCMV DIANTE DO ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS.

  • 23 de abr.
  • 2 min de leitura

Em posicionamento oficial, entidade destaca que a ampliação de limites do programa federal pode ser insuficiente se o custo do crédito e a saúde financeira do consumidor não melhorarem.


O setor da construção civil de Pelotas, um dos principais motores do PIB municipal, acompanha com cautela a entrada em vigor das novas diretrizes do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Embora o Governo Federal tenha atualizado os tetos de renda — elevando, por exemplo, a Faixa 1 para até R$ 3,2 mil e a Faixa 3 para até R$ 9,6 mil —, o Sinduscon/Pelotas alerta que o sucesso da medida não depende apenas de novos números nos decretos, mas de uma realidade econômica mais favorável na ponta consumidora.

Para o presidente da entidade, Marcos Fontoura, o anúncio traz uma dualidade. Se por um lado a atualização das faixas de renda e dos valores dos imóveis tentam acompanhar a inflação setorial, por outro, os gargalos estruturais permanecem intactos. "Recebemos a informação com alegria pelo movimento de estímulo, mas, simultaneamente, com muita preocupação", pontua Fontoura.


Fontoura também chama atenção para fatores locais que impactam diretamente o desempenho do setor. "Além das questões macroeconômicas, Pelotas ainda convive com entraves que afetam o ambiente de negócios, como a morosidade em processos, insegurança jurídica e falta de previsibilidade. Esses elementos aumentam o risco dos empreendimentos e acabam afastando investimentos. É uma pauta recorrente que precisa avançar se quisermos destravar o potencial da construção civil no município", destaca o presidente.


O entrave do endividamento e dos juros

A análise do Sinduscon/Pelotas aponta que o principal obstáculo para o avanço da construção civil hoje no Brasil reside no binômio juros altos e endividamento recorde. Estimativas indicam que dois em cada três brasileiros possuem dívidas que comprometem sua capacidade de assumir novos financiamentos de longo prazo.


Relevância econômica e responsabilidade social

A manifestação da entidade ganha peso ao observar os números do setor em Pelotas. As empresas associadas ao Sinduscon são responsáveis por uma média de 150 mil metros quadrados de área construída por ano e mantêm um estoque de cerca de 13 mil empregos diretos (com um impacto de mais de 65 mil postos se somados os empregos indiretos).


Além da geração de renda, o setor desempenha um papel fundamental no desenvolvimento urbano: somente em 2025, a estimativa é de que as empresas locais tenham injetado R$ 9,8 milhões em medidas mitigatórias e contrapartidas diretas para o município.

Para o Sinduscon/Pelotas, o momento é de vigilância. A entidade reforça que a valorização da construção civil passa, necessariamente, por entender que o imóvel é o destino final de uma cadeia produtiva que precisa de juros civilizados, segurança jurídica e de um consumidor financeiramente saudável para prosperar.

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