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SINDUSTEC 2026 DISCUTE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E NECESSIDADE DE ATUALIZAÇÃO

há 1 dia
4 min de leitura

As mudanças climáticas já não podem ser tratadas como um cenário distante quando o assunto é planejamento urbano. Em Pelotas, os impactos de eventos extremos registrados nos últimos anos reforçam a necessidade de rever a forma como a cidade cresce, investe em infraestrutura e define novas áreas de ocupação.


O tema esteve entre os principais debates da terceira edição do Sindustec, promovido pelo Sinduscon Pelotas e Região nesta terça-feira (29), no Auditório Sicredi. O encontro, que reuniu profissionais da construção civil, mercado imobiliário e áreas relacionadas para discutir inovação, tecnologia, desenvolvimento e os desafios impostos pelo novo cenário climático, teve o apoio do Sistema Fiergs.


Um dos destaques da programação foi a participação do especialista Thiago Ferreira, consultor sênior de sustentabilidade da Ramboll, empresa internacional de engenharia, arquitetura e consultoria. Natural de Porto Alegre, Ferreira apresentou experiências de diferentes cidades do mundo que passaram a incorporar a adaptação climática às políticas de desenvolvimento urbano.

A enchente de maio de 2024 no Rio Grande do Sul foi utilizada pelo especialista como exemplo da mudança de cenário enfrentada pelas cidades gaúchas. Segundo ele, modelos de planejamento baseados exclusivamente em registros históricos de chuva e temperatura precisam ser reavaliados diante da maior ocorrência de eventos extremos.


A questão, portanto, deixa de ser apenas como retirar rapidamente a água das áreas urbanas e passa a envolver também a capacidade das cidades de armazenar, absorver e conduzir grandes volumes de chuva.


Planejamento antes da obra

Para Ferreira, decisões sobre novas construções e expansão urbana precisam ser precedidas por um diagnóstico das características de cada território.

Topografia, sistemas de drenagem, áreas sujeitas a alagamentos, cursos d'água e características ambientais devem fazer parte da análise antes da definição de novas ocupações e empreendimentos.

A experiência de cidades europeias, como Copenhague, apresentada durante o evento, mostra uma mudança de conceito: espaços urbanos podem desempenhar diferentes funções conforme a situação climática. Praças, parques e outras áreas públicas, por exemplo, podem ser projetados para receber temporariamente a água durante episódios de chuva intensa, sem perder sua utilização cotidiana.

A ideia é fazer com que a infraestrutura urbana também contribua para a adaptação climática.


Pelotas vive uma nova realidade

A discussão ocorre em um momento em que Pelotas enfrenta sucessivos episódios de eventos climáticos severos. Em setembro, o município decretou situação de emergência após os estragos provocados por uma tempestade, no quinto decreto relacionado a eventos climáticos extremos em um período de dez meses.

Paralelamente, a Prefeitura iniciou a atualização do Plano Diretor de Drenagem Urbana. O trabalho conta com a participação do professor emérito da UFRGS Carlos Eduardo Tucci e busca adequar o planejamento do sistema de águas pluviais à nova realidade climática.


Para o presidente do Sinduscon Pelotas e Região, Marcos Fontoura, o setor da construção precisa acompanhar essa transformação.

A avaliação é de que decisões relacionadas ao desenvolvimento urbano devem estar cada vez mais apoiadas em estudos técnicos e critérios de engenharia, especialmente diante da repetição de eventos extremos.

Construção civil também precisa se adaptar

O debate promovido pelo Sindustec mostra que a adaptação climática não envolve apenas o poder público. O setor privado também precisa incorporar novos critérios aos projetos e empreendimentos.


Isso inclui avaliar a relação entre impermeabilização do solo, drenagem, localização dos empreendimentos e capacidade da infraestrutura existente.

A discussão também amplia o papel da construção civil no planejamento da cidade. Mais do que responder aos problemas depois que eles acontecem, o setor passa a ser chamado a participar de estratégias de prevenção e adaptação.

Além da resiliência climática, o Sindustec 2026 discutiu inteligência artificial, questões jurídicas e perspectivas para o mercado imobiliário, reunindo diferentes áreas ligadas ao desenvolvimento urbano e econômico.

A principal provocação deixada pelo encontro foi justamente esta: diante de uma realidade climática diferente daquela que orientou boa parte do planejamento urbano das últimas décadas, como Pelotas deve projetar a cidade das próximas décadas?


TECNOLOGIA E NOVOS SINAIS DO MERCADO IMOBILIÁRIO ENTRAM EM PAUTA


A tecnologia e a capacidade de interpretar as mudanças de comportamento estão entre os fatores que devem influenciar o futuro do mercado imobiliário. Essa foi uma das provocações trazidas ao Sindustec 2026 por Jota Batista e Gustavo Zanotto.

Jota Batista destacou o impacto da inteligência artificial no mercado imobiliário e as novas possibilidades que a tecnologia abre para empresas e profissionais do setor. A proposta é olhar para a IA não apenas como ferramenta, mas como parte de uma transformação na maneira de vender, atender e tomar decisões.



Já Gustavo Zanotto chamou atenção para os sinais que precisam ser acompanhados por empresas e profissionais. Sua visão passa pelo uso de dados, inovação e pela necessidade de compreender melhor o comportamento do consumidor em um mercado cada vez mais conectado e dinâmico.


As duas abordagens convergem em um ponto: o mercado imobiliário está mudando, e acompanhar essa transformação exige mais do que observar os números tradicionais. É preciso interpretar novos comportamentos, incorporar tecnologia e estar atento aos movimentos que podem alterar a forma de fazer negócios.

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